Último dia da viagem, e não podia ser diferente: acordei umas 04:30 da manhã! Isso porque Ane, Ana, Kiki e eu fomos assistir ao nascer do sol com vista para as montanhas do Himalaia.
O passeio inclui um tracking na descida. Porém, como o ônibus sairia do hotel às 12h em ponto, pedimos para o carro nos pegar mais no início da trilha. Tudo certo, chegamos no ponto para ver o nascer do sol, morremos subindo uma escada de mais de 1600 degraus (não conseguimos entender a quantidade exata), chegamos na parte superior onde também tinha um templo. Outra coisa que também tinha lá era frio, MUITO frio... Eu estava com 4 camadas de blusas, e um lenço, e estava "ok". Mas as outras meninas não foram tão preparadas, então sofreram mais. Chegamos quando já estava claro, mas pegamos o sol nascer desde o início, lindo, laranja, sem nenhuma nuvem no céu, surgindo atrás das montanhas de forma imponente e majestosa... Lindo demais! Ah, sobre as montanhas do Himalaia... Então, não deu pra ver. Estavam lá, o GPS confirmou, mas é muito longe. Se você só deseja vê-las, esse não seria o melhor passeio. Kiki subiu para ver o Templo (tinha que tirar os sapatos, nenhuma de nós três queria fazer isso no frio), aí ela disse que não valia a pena visitar, então voltamos para nos encontrarmos com o guia.
Foi quando começou a segunda parte do tour, o trecking. Primeiro questionamos ao guia se seria possível descer tudo de carro, passando pela cachoeira. Ele tentou falar com o motorista e, como esse já tinha ido embora, começamos a trilha até o ponto combinado. No percurso, o guia ficou tentando entrar em contato com o motorista, e nós ficamos curtindo a paisagem. Foi uma delícia, passamos por plantações (principalmente de arroz), por casas pequenas e super isoladas, por criação de bodes, e a vista... Linda!!! Ou víamos o horizonte infinito de montanhas, ou víamos o rio Ganges, ou o rio junto com Rishikesh. Muito bonito mesmo!
Chegando no ponto de encontro, cadê o motorista? Nada! Aí veio o guia dizer que pediria um táxi e teríamos que pagar extra. Falamos que estávamos sem dinheiro, então que no hotel o pessoal de lá pagaria, afinal, já tínhamos pago o passeio. O outro carro chegou, entramos e seguimos para a cachoeira. Confesso que nem peguei o nome dela, mas estava mais para uma queda d'água, bem suja (de lixo, não a água em si), com uns sacos de areia no meio do caminho... Bem sem graça! Quando olhamos para o lado, não é que o motorista da ida estava lá? E o guia estava sem saber o que fazer... Aqui, um comentário sobre os indianos: se brasileiro não gosta de conflito, eles MUITO menos. Eles são super criativos para darem "soluções gambiarras" para coisas simples, mas para situações profissionais (pelo menos relacionadas a turismo) ainda precisam se desenvolver, e aqui foi um super exemplo. O cara queria que a gente resolvesse a história, em um ponto que ele soltou um "temos um problema, temos dois carros para voltar", tive que comentar "esse é um problema para você resolver, não nós". Aí pareceu que ele bugou e real não sabia o que fazer. Então ficamos tirando algumas fotos a mais, e perguntamos a ele em qual carro deveríamos entrar. Ele demorou mais um pouco e falou para entrarmos no do 2o motorista, foi o que fizemos. Nessa hora, Kiki conversou pelo WhatsApp com a dona do hotel, e ela disse que nos reembolsaria. Aqui um outro parênteses, ela é sensacional, excelente profissional, fica presente dia e noite atenta a todos os detalhes, verificando o tempo inteiro se todos os hóspedes estão bem ou se tem algum problema no quarto, ou ajudando nos ruídos de comunicação com o pessoal da recepção... Esqueci até de falar, ontem, quando Ane e eu fechamos a conta do quarto pra agilizar, cobraram duas garrafas de água que não eram nossas. Pagamos, mas pedimos o recibo. O cara não estava entendendo, ela veio, explicamos, ela comentou que verificaria e voltaria conosco. Não é que 30min depois o cara bateu na nossa porta e devolveu o dinheiro por terem identificado que de fato não era gasto nosso?
Chegando no hotel, fomos tomar café da manhã e depois fui com Karen e Tati até o Rio Ganges para nos despedirmos. Elas entraram no rio, eu não consegui, só molhei os pés de novo... Mas foi bom esse "até logo" para a mãe Ganga (que não deixa de ser irmã gêmea de Iemanja, ao meu ver...).
Depois nos arrumamos para começarmos a maratona de volta. Pegamos a van para ir até o aeroporto da cidade vizinha, Dehradun, pegamos o voo até Delhi, aonde fomos jantar no restaurante Amour Bistro, que fica no mesmo bairro da parada anterior, Malcha, que parece o bairro Jardins de São Paulo. Bem gostoso! De lá fomos para o hotel, me despedi do pessoal (com o coração apertado, pois eu fui a 1a a ir embora), arrumei minhas malas de forma cuidadosa para garantir que o peso não ultrapassasse 23kg, e fui pro aeroporto (com a Rê me acompanhando até o transfer de roupão, kkk, cena icônica).
Ao invés de escrever como estou grata pela experiência, feliz por ter finalmente realizado essa viagem, ter visto mais uma Maravilha, ter feito novas amizades, ter conhecido mulheres incríveis (mesmo), vou terminar diferente... Vou listar aqui os conselhos que ouvi sobre Índia, do que fazer ou não, e comentar cada um deles...
- Não tocar nas águas do rio Ganges: ok, em Veranasi eu realmente não fiz isso. Mas, em Rishikesh... Tomei banho, fiz rafting, engoli água, molhei pés e mãos...
- Não escove os dentes com a água do hotel: esqueci isso já na primeira noite... Kkkkkk Mas ficamos em hotéis bons, isso nem passou pela minha cabeça! No máximo, acho que devia ter tido esse cuidado em Varanasi, mas... Não rolou.
- Não beba água que não seja mineral, que não venha em garrafas: no início até que tínhamos esse cuidado, mas depois de uns dias já estávamos bebendo a água da casa, o suco servido no saguão do hotel... Ok, também só fomos em restaurantes mais confiáveis, mas de fato não segui esse conselho em todas viagem.
- Tem vaca a torto e a direito, no meio da rua, e a maioria está suja e doente: verdade! Não tive coragem de tocar em nenhuma delas, mas tirei foto....
- Cuidado com o trânsito: sim, é caótico, mas só em Nova Deli que não andamos no meio da rua. De resto, estávamos todas juntas e misturadas com motos, carros, vacas, tuk tuks...
- Não andar sozinha na Índia, especialmente considerando que sou mulher: em Rishikesh eu andei sozinha, mas nas outras cidades não mesmo.
- Não converse com pessoas estranhas, especialmente homens: então, em Rishikesh isso aconteceu, para os passeios do rafting e da trilha, passeios marcados de forma separada... Kkkkk
E resumo, claro que é absurdamente importante ter cuidado na Índia, mas foi exatamente por isso que escolhi fazer essa viagem com Renata Bortolotti poque, além de ser focada em mulheres e ela já ter experiência em ir para a Índia, ela faz questão de escolher os melhores lugares para nos hospedar, para comer, além dos melhores guias. Existe uma exigência de padrão de qualidade mínima, o que me deixou segura. E foi uma decisão acertada! Fizemos um roteiro maravilhoso, redondo, com experiências e vivências únicas e especiais!
Clara, escrevendo sobre o dia 22 de março de 2025