segunda-feira, 24 de março de 2025

Despedida com nascer do sol

Último dia da viagem, e não podia ser diferente: acordei umas 04:30 da manhã! Isso porque Ane, Ana, Kiki e eu fomos assistir ao nascer do sol com vista para as montanhas do Himalaia.


O passeio inclui um tracking na descida. Porém, como o ônibus sairia do hotel às 12h em ponto, pedimos para o carro nos pegar mais no início da trilha. Tudo certo, chegamos no ponto para ver o nascer do sol, morremos subindo uma escada de mais de 1600 degraus (não conseguimos entender a quantidade exata), chegamos na parte superior onde também tinha um templo. Outra coisa que também tinha lá era frio, MUITO frio... Eu estava com 4 camadas de blusas, e um lenço, e estava "ok". Mas as outras meninas não foram tão preparadas, então sofreram mais. Chegamos quando já estava claro, mas pegamos o sol nascer desde o início, lindo, laranja, sem nenhuma nuvem no céu, surgindo atrás das montanhas de forma imponente e majestosa... Lindo demais! Ah, sobre as montanhas do Himalaia... Então, não deu pra ver. Estavam lá, o GPS confirmou, mas é muito longe. Se você só deseja vê-las, esse não seria o melhor passeio. Kiki subiu para ver o Templo (tinha que tirar os sapatos, nenhuma de nós três queria fazer isso no frio), aí ela disse que não valia a pena visitar, então voltamos para nos encontrarmos com o guia.

Foi quando começou a segunda parte do tour, o trecking. Primeiro questionamos ao guia se seria possível descer tudo de carro, passando pela cachoeira. Ele tentou falar com o motorista e, como esse já tinha ido embora, começamos a trilha até o ponto combinado. No percurso, o guia ficou tentando entrar em contato com o motorista, e nós ficamos curtindo a paisagem. Foi uma delícia, passamos por plantações (principalmente de arroz), por casas pequenas e super isoladas, por criação de bodes, e a vista... Linda!!! Ou víamos o horizonte infinito de montanhas, ou víamos o rio Ganges, ou o rio junto com Rishikesh. Muito bonito mesmo!

Chegando no ponto de encontro, cadê o motorista? Nada! Aí veio o guia dizer que pediria um táxi e teríamos que pagar extra. Falamos que estávamos sem dinheiro, então que no hotel o pessoal de lá pagaria, afinal, já tínhamos pago o passeio. O outro carro chegou, entramos e seguimos para a cachoeira. Confesso que nem peguei o nome dela, mas estava mais para uma queda d'água, bem suja (de lixo, não a água em si), com uns sacos de areia no meio do caminho... Bem sem graça! Quando olhamos para o lado, não é que o motorista da ida estava lá? E o guia estava sem saber o que fazer... Aqui, um comentário sobre os indianos: se brasileiro não gosta de conflito, eles MUITO menos. Eles são super criativos para darem "soluções gambiarras" para coisas simples, mas para situações profissionais (pelo menos relacionadas a turismo) ainda precisam se desenvolver, e aqui foi um super exemplo. O cara queria que a gente resolvesse a história, em um ponto que ele soltou um "temos um problema, temos dois carros para voltar", tive que comentar "esse é um problema para você resolver, não nós". Aí pareceu que ele bugou e real não sabia o que fazer. Então ficamos tirando algumas fotos a mais, e perguntamos a ele em qual carro deveríamos entrar. Ele demorou mais um pouco e falou para entrarmos no do 2o motorista, foi o que fizemos. Nessa hora, Kiki conversou pelo WhatsApp com a dona do hotel, e ela disse que nos reembolsaria. Aqui um outro parênteses, ela é sensacional, excelente profissional, fica presente dia e noite atenta a todos os detalhes, verificando o tempo inteiro se todos os hóspedes estão bem ou se tem algum problema no quarto, ou ajudando nos ruídos de comunicação com o pessoal da recepção... Esqueci até de falar, ontem, quando Ane e eu fechamos a conta do quarto pra agilizar, cobraram duas garrafas de água que não eram nossas. Pagamos, mas pedimos o recibo. O cara não estava entendendo, ela veio, explicamos, ela comentou que verificaria e voltaria conosco. Não é que 30min depois o cara bateu na nossa porta e devolveu o dinheiro por terem identificado que de fato não era gasto nosso?


Chegando no hotel, fomos tomar café da manhã e depois fui com Karen e Tati até o Rio Ganges para nos despedirmos. Elas entraram no rio, eu não consegui, só molhei os pés de novo... Mas foi bom esse "até logo" para a mãe Ganga (que não deixa de ser irmã gêmea de Iemanja, ao meu ver...). 


Depois nos arrumamos para começarmos a maratona de volta. Pegamos a van para ir até o aeroporto da cidade vizinha, Dehradun, pegamos o voo até Delhi, aonde fomos jantar no restaurante Amour Bistro, que fica no mesmo bairro da parada anterior, Malcha, que parece o bairro Jardins de São Paulo. Bem gostoso! De lá fomos para o hotel, me despedi do pessoal (com o coração apertado, pois eu fui a 1a a ir embora), arrumei minhas malas de forma cuidadosa para garantir que o peso não ultrapassasse 23kg, e fui pro aeroporto (com a Rê me acompanhando até o transfer de roupão, kkk, cena icônica).

Ao invés de escrever como estou grata pela experiência, feliz por ter finalmente realizado essa viagem, ter visto mais uma Maravilha, ter feito novas amizades, ter conhecido mulheres incríveis (mesmo), vou terminar diferente... Vou listar aqui os conselhos que ouvi sobre Índia, do que fazer ou não, e comentar cada um deles... 
- Não tocar nas águas do rio Ganges: ok, em Veranasi eu realmente não fiz isso. Mas, em Rishikesh... Tomei banho, fiz rafting, engoli água, molhei pés e mãos...
- Não escove os dentes com a água do hotel: esqueci isso já na primeira noite... Kkkkkk Mas ficamos em hotéis bons, isso nem passou pela minha cabeça! No máximo, acho que devia ter tido esse cuidado em Varanasi, mas... Não rolou. 
- Não beba água que não seja mineral, que não venha em garrafas: no início até que tínhamos esse cuidado, mas depois de uns dias já estávamos bebendo a água da casa, o suco servido no saguão do hotel... Ok, também só fomos em restaurantes mais confiáveis, mas de fato não segui esse conselho em todas viagem. 
- Tem vaca a torto e a direito, no meio da rua, e a maioria está suja e doente: verdade! Não tive coragem de tocar em nenhuma delas, mas tirei foto.... 
- Cuidado com o trânsito: sim, é caótico, mas só em Nova Deli que não andamos no meio da rua. De resto, estávamos todas juntas e misturadas com motos, carros, vacas, tuk tuks... 
- Não andar sozinha na Índia, especialmente considerando que sou mulher: em Rishikesh eu andei sozinha, mas nas outras cidades não mesmo. 
- Não converse com pessoas estranhas, especialmente homens: então, em Rishikesh isso aconteceu, para os passeios do rafting e da trilha, passeios marcados de forma separada... Kkkkk
E resumo, claro que é absurdamente importante ter cuidado na Índia, mas foi exatamente por isso que escolhi fazer essa viagem com Renata Bortolotti poque, além de ser focada em mulheres e ela já ter experiência em ir para a Índia, ela faz questão de escolher os melhores lugares para nos hospedar, para comer, além dos melhores guias. Existe uma exigência de padrão de qualidade mínima, o que me deixou segura. E foi uma decisão acertada! Fizemos um roteiro maravilhoso, redondo, com experiências e vivências únicas e especiais!

Clara, escrevendo sobre o dia 22 de março de 2025 

sábado, 22 de março de 2025

Início da despedida

Em teoria, hoje passaríamos um dia inteiro em um ashram. As atividades começam 05:20, logo... Acordamos 04:30 da manhã! 

Primeiro a definição. De acordo com o Copilot, ashram é um local dedicado à prática espiritual e à meditação. Tradicionalmente, os ashrams eram eremitérios onde sábios viviam em paz e tranquilidade, afastados das áreas urbanas, em meio à natureza. Hoje, eles são comunidades intencionais que promovem a evolução espiritual dos seus membros através de práticas como yoga, meditação e estudo das escrituras sagradas. Em Rishikesh parece que tem 3 mais famosos, e foi escolhido para irmos no Anand Prakash Yoga Ashram, pois oferece um "day use". Chegamos lá, ainda estava escuro, e estava acontecendo o excecicio de meditação guiada. Quando sentamos na sala, foi me dando um negócio... Sei lá, não gostei... Achei chato, estranho, não consegui relaxar... Quando terminou a meditação, resolvi voltar para o hotel (era pertinho).

Chegando no hotel, eu fui dormir. Pensem em um sono maravilhoso? Eu estava muito cansada! Acordei umas 8h, tomei banho, lavei a cabeça e fui tomar café. Chegando lá, eatavam tanto as meninas que não tinham ido quanto as que tinham ido (preferiram tomar café da manhã no hotel, pois no ashram seria bandeijão vegano.

Umas 10h fomos fazer comprinhas na cidade. Hoje foi o dia que resolvi comprar todos os presentes: chás, especiarias e incensos. Fomos passeando pelas lojas, entrando, explorando, foi divertido. Na hora do almoço passamos pelo Café Beatles. Gente, que vista maravilhosa! Paramos lá para almoçar. Além da vista, a comida estava bem saborosa! Eu comi um crepe bem bom!!


Depois passeamos mais um pouco e voltamos para o hotel. Eu sentei na varanda e fiquei escrevendo no blog, ouvindo música, curtindo a tarde e a vista para o rio Ganges! Foi muito bom, e eu diria até necessário. Após o pôr do sol (e a cerimônia do fogo do hotel, que eu vi do quarto), fui arrumar as malas.


De noite Renata e eu saímos pra jantar no Terracota, mesmo restaurante de ontem. Comi ovo, naan (pão delicioso indiano) e chocolate quente! Depois Ane, Tati e Kiki se juntaram a nós, jantaram e voltamos pro hotel. 

Dia bem tranquilo, leve. Do jeito que eu precisava. Com alguns apertos no coração ao longo do dia, pois foi "caindo a ficha" de que a viagem está acabando, mas foquei em transformar isso em gratidão por ter tido a oportunidade de fazer essa viagem com esse grupo de mulheres incríveis!

Clara, escrevendo sobre o dia 21 de março de 2025 

sexta-feira, 21 de março de 2025

Dia intenso em Rishikesh

Nem acredito, mais um dia em que acordamos após às 7h! O despertador tocou às 07:30, para despertarmos com calma para o café da manhã. Oficialmente hoje era o dia livre da viagem, mas programamos VÁRIAS coisas... Vou colocando por tópicos para ficar mais fácil.

Yoga com Swati Yogashala
A Rê, nossa líder / guia, tinha incluído no nosso pacote uma aula de Yoga com esse cara aqui no hotel. Não sei nem a melhor forma de descrever a aula... Foi maravilhosa, intensa, misturando conceitos de cada posição, explicação da melhor forma de fazê-las para evitar dores no corpo e as respectivas execuções. Além disso, ele soube que iríamos na caverna de Jesus, e começou a falar sobre as cavernas como um todo, a luz e a escuridão, fazendo um paralelo com felicidade... Em diversos momentos houve muita emoção, foi uma aula bonita.


Rafting no Ganges
Sim, fiz rafting, mergulhei e engoli água no Rio Ganges. Preciso dizer que a etapa mais perigosa, ou que eu senti mais medo, foi no trânsito. Lembro que já falei do tuk tuk que peguei que ficou na contra-mão e Old Deli, e falei com pouco em Varanasi, mas aqui o cara conseguiu me deixar realmente apreensiva. Pegamos um 4 X 4 da própria empresa de rafting para ir até o barco. Foram uns 25 minutos de estrada cheia de curvas nas quais o cara andava na contra-mão para ultrapassar, vindo carro no outro lado ou não. Ele não ligava. Teve um momento que Kiki, uma das meninas do grupo, pediu para ele ir mais devagar. Resultado, ele foi a 15km/h (literalmente, eu vi o marcador). Começou a descida do rio só nós 4 (Kiki, Ana, Roberta e eu) e os dois que guiavam o barco. Muito legal, rimos e gritamos horrores! Passamos por 4 quedas médias, das quais 2 se chamavam Roller Coaster e Power of God. No meio do caminho caímos no rio (de propósito). Rapaz... Pensem em uma água absurdamente gelada... Nunca senti isso! Chegou um momento em que comecei a sentir alfinetadas nas pernas, imediatamente pedi para o cara me colocar de volta ao barco... Depois encostamos em outra parada para 3 pessoas entrarem. Com todo o respeito, eles estavam fedendo muito... Não conseguíamos nos concentrar... Passamos por mais 2 quedas (uma delas chamada Mickey Mouse), e no meio eles caíram no rio (amenizou o cheiro, mas logo depois eles soltaram um arroto alto que afemaria... Enfim, mas valeu muito a pena!


Vashishta Guha + Gruta de Jesus
A Vashishta Guha é uma caverna histórica onde o sábio Vashishta, guru de Rama, teria vivido. Esta caverna tem sido um local de meditação para muitos iogues ao longo dos séculos (fonte Copilot). A caverna é muito pequena, muito mesmo, devem caber umas 15 pessoas lá dentro. Alem disso, ela é muito escura. Rê (e o professor de Yoga) nos avisaram que a gruta tinha uma energia forte. Mas quando eu cheguei, eu me senti estranha. Parecia que a energia estava parada, não sei explicar. Não me senti confortável. Depois de um tempo, foi chegando um monte de gente com a lanterna do celular ligada, fazendo barulho... Não sei, não curti. 
De lá andamos mais um pouco para irmos para a Caverna de Jesus. Há uma tradição que sugere que Jesus passou parte de seus "anos perdidos" na Índia, incluindo um período em Rishikesh. Perto da famosa Vashishta Guha, há uma caverna conhecida como a "Caverna de Jesus". Esta caverna, situada nas margens do rio Ganges, é associada à ideia de que Jesus meditou ali durante sua estadia na Índia. (fonte Copilot). Se a anterior era pequena, essa é um buraco na rocha, juro. Achei ok. Agora, a vista... Maravilhosa! Ela fica em frente ao rio Ganges, com a cor verde linda! Valeu pela vista, mas confesso que se eu soubesse como era, não teria ido.

Massagem no hotel
Voltei e fui direto para a massagem no hotel (na verdade eu já estava atrasada...). Fiz uma anti stress com aromaterapia. Pensem em uma coisa maravilhosamente gostosa? Afff, valeu cada segundo!

Sessão Sound Healing
De novo, direto, fui pro Sound Healing que marcamos para o grupo, dentro do hotel. Para quem não sabe, "Sound Healing é uma prática terapêutica que utiliza vibrações sonoras para promover relaxamento e cura. Durante uma sessão de Sound Healing, instrumentos como tigelas tibetanas e de cristal, gongos, e diapasões são usados para criar sons que ajudam a equilibrar o corpo, a mente e o espírito. Essas vibrações sonoras podem reduzir o estresse, aliviar a dor e melhorar o bem-estar geral" (fonte Copilot). Curioso que, no início, minha cabeça estava super agitada, eu pensando em um monte de coisas. A cada batida nas tigelas, meu corpo começava a vibrar, especialmente as partes / membros superiores, e de novo, e mais uma vez, e apaguei (ou sei lá pra onde fui). Despertei (sem acordar / abrir os olhos) com um clarão amarelo, juro! Depois uma cor azul muito forte! Fui pesquisar e, segundo o Copilot, o amarelo significa que eu estava trabalhando o chakra do plexo solar, relacionado a confiança e poder pessoal, intelecto e criatividade. Já o azul está ligado ao chakra da garganta, relacionado à calma, tranquilidade, comunicaçãoe expressão. Saindo da sessão, foi curioso como cada uma viu ou sentiu cores / coisasdiferentes... 


Almojanta
Quando terminou, eu estava morrendo de domo (eram 20h e eu só tinha tomado café). Fui com as meninas do grupo em um café ao lado do nosso hotel. Peguei um chocolate quente (que no hotel da gente não tem) e uma omelete (ovooooo, proteína! Kkkk), além de uma massa que estava picante, então acabei não comendo muito ela...

Clara, escrevendo sobre o dia 20 de março de 2025