sexta-feira, 14 de março de 2025

Tour em Jaipur

Mais uma vez o dia começou cedo, muito cedo, muito cedo mesmo! Saímos do hotel 06h da manhã pois às 06:30 tínhamos uma aula de Yoga, focado em respiração. 

A aula foi na casa do guru Satish GuruJi, e foi ele mesmo quem a conduziu. Confesso que tive um pouco de dificuldade para entender ele, mas uma coisa interessante que ele comentou é que todo mundo costuma respirar melhor de um lado da narina, mas esse lado muda devido a diversos fatores relacionados ao corpo da pessoa. Terminada a aula, tivemos um café da manhã vegano e orgânico. Eu comi umas frutas e um biscoito bem bom!

Saímos de lá e começamos o tour por Jaipur. Primeiro passamos pelo Paço de Água Panna Meena Ka Kund, um baori (poço em degraus), construído no século XVI, esse poço era essencial para o armazenamento de água durante todo o ano. Além de sua função prática, o local servia como um ponto de encontro para os viajantes e uma área de descanso para aqueles que passavam pela região. Ele é bem bacana, com várias escadas simétricas que levam até a base do poço, cujo nível de água pode variar a depender das chuvas. Hoje não é mais possível descer as escadas, assim como a água não é mais potável.


Próxima parada foi Amber Fort. Ele foi construído em 1592 para ser moradia do imperador. Fica no topo das colinas que rodeiam a cidade de Jaipur, podendo subir até ele de jipe ou de elefante. Nós fomos de jipe, claro! Nas colinas, na verdade, existem 3 fortalezas construídas e com conexões entre si via passagens secretas, mas só exploramos a Ambar. Sua muralha é a 3a maior do mundo, com 12km. As edificações foram construídas por diversos imperadores ao longo do tempo, até que no século 18 o então imperador resolveu construir sua moradia em Jaipir, a atual Palácio da Cidade. O lugar é muito bonito e tem uma vista linda para um lago artificial.

A parada seguinte foi justamente no Palácio da Cidade. Construído entre 1729 e 1732, ele servia como casa real e sede administrativa dos governantes. Hoje ele continua sendo a residência da família real de Jaipur, porém, uma parte dele está aberto para visitações, abrigando um museu, restaurante e pode ser alugado para realização de eventos. O lugar é bem bonito, mas achei o museu bem fraco.

De lá, fomos almoçar no Bardari Restaurant, que fica no próprio Palácio. O restaurante é lindo, tem várias opções de comida, mas o atendimento é PÉSSIMO. Aqui faço um adendo: atendimento em restaurantes na Índia é ruim como um todo, SEMPRE teve algum erro como entregarem prato errado ou cobrar algo errado na conta. Mas o Bardari conseguiu superar todos que fomos até agora. Os garçons demoravam de nos atender, eles esperaram 20min para informar que os pratos solicitados não tinham mais, entregou prato sem trazer talher e, ainda assim, a gente teve que ir lá pega-los... Enfim, bem caótico. 

Passamos bem rápido por Jaipur Boutique Carpet, uma loja / fábrica de tecidos e tapetes. Estávamos todos cansados, nem ouvi direto as explicações que eles fizeram sobre a tecelagem... 



Terminamos o dia indo para o Birla Temple, um templo hindu construído com mármore branco em homenagem ao deus Vishnu (o Ser Supremo, deus da conservação) e à deusa Lakshmi (deusa da prosperidade, riqueza, fortuna, poder, beleza, fertilidade e prosperidade). Além da construção, o lugar onde ele está é muito bonito! O curioso é que em uma das faixadas tinham imagens de outros deuses ou santos de outra religiões, como Jesus Cristo! 

De lá, voltamos pro hotel. Karen (minha roommate de Jaipur) e eu pedimos comida no quarto e fomos dormir! 

Clara, escrevendo sobre o dia 13 de março de 2025

quinta-feira, 13 de março de 2025

Maravilha da viagem: Taj

 Hoje foi o dia! O dia especial da viagem, o dia de entrar e explorar o Taj Mahal! Quem só foi dormir por volta de 1h da manhã, para acordar as 4h? Ansiedade que fala? 

Sim, acordamos 4h e pouca da manhã para sairmos do hotel às 5h. O objetivo era pegar o Taj com o mínimo de pessoas possível, então chegamos antes da abertura (6h). Fomos os primeiros da fila de turista, mas a fila de indianos já estava imensa... Pela primeira vez senti um pouco de frio aqui, estava uns 18 graus (sim, para mim é frio). Ficamos na fila e, quando abriu, foi uma galera entrando, parecendo uma manada! 

Entramos, fomos andando, andando mais um pouco, viramos à esquerda e deu para ver o Taj Mahal de longe, e aos poucos ele foi se revelando cada vez mais... Chegando no Portal dos Anjos, é possível ver toda a sua  grandiosidade! Gente, me veio um sentimento tão forte, felicidade, gratidão, realização, reflexão... Muitos sentimentos, todos juntos, aí comecei a chorar! Fiquei ali, longe, no meu momento, tentando absorver o que eu estava vivenciando, mais uma Maravilha, mais uma experiência, a concretização de mais um desafio. Fiquei quieta, só sentindo... Aí senti um abraço forte (Ana, minha Parça, super companheira / amiga desta viagem). Fui andando, e recebi mais um abraço forte, acolhedor e encorajador ao mesmo tempo (Renata, nossa super líder). E aí me entreguei ainda mais à gratidão, pois eu estava muito apreensiva pois foi a primeira Maravilha que eu vi com pessoas que possuo zero intimidade, não sabia como agiria e como o pessoal reagiria. Cada visita tenho sentido coisas diferentes, venho trazendo bagagens diferentes, então realmente não sabia se me sentiria à vontade e bem para vivenciar a experiência, e foi maravilhoso. Com esses abraços, eu relaxei e me deixei levar 100% pelo que estava sentindo por estar realizando mais um sonho, concretizando mais uma conquista que, mais uma vez, está vindo com desafios e necessidade de sair da minha zona de conforto... Realmente só tenho a agradecer!  

Agora, voltando ao Taj... O Taj Mahal é um patrimônio da humanidade e uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno. Ele foi construído pelo imperador mogol Shah Jahan em memória de sua esposa favorita Mumtaz Mahal (além dela, ele tinha outras 3 esposas que estão enterradas no complexo, em prédios mais afastados do Taj que hoje são usados pelo governo). A construção começou em 1632 e foi concluída em 1653. Ele queria criar um monumento que simbolizasse seu amor eterno por ela e que durasse por gerações, e tinha planos para fazer um mausoléu para ele, em frente mas do outro lado do rio, de mármore preto. Mas aí ele saiu do poder, o filho dele virou imperador e o prendeu, não havendo, assim, a construção. Algumas curiosidades:

- Tudo no complexo é simétrico, desde a construção do próprio mausoléu branco quanto o jardim e os prédios rosas. Ele construiu uma Mesquita em um lado do Taj Mahal e, para manter a simetria, construiu um prédio igualzinho para ser a "sala de estar". O túmulo dela fica exatamente no centro do prédio. 

- A única coisa não simétrica é o túmulo dele. Originalmente, era para ter o mausoléu idêntico do outro lado do rio. Como o filho dele, então imperador, não autorizou a construção, as filhas pediram para construírem um túmulo ao lado do amor dele. Ou seja, não fazia parte do projeto original. Os corpos do imperador e de sua amada estão mais embaixo, em um lugar que não é aberto para visitação. 

- O prédio fica na beira do rio. Para evitar danificações na estrutura, ele possui como base uma madeira que, quanto mais água, mais firme fica. Com isso, o governo precisa garantir que o Rio sempre tenha água.

- Ele é todo feito de mármore branco com pedras preciosas encrustradas, na mesma técnica que vimos no dia anterior e as inscrições dos portões são versos do Alcorão escritos em persa.

- Os quatro pilares ao redor da cúpula são um pouco inclinados para que, em caso de algum desastre, não caiam sobre o prédio. 

- Antes, tinham várias pedras preciosas por todo mausoléu, além de portas e diversos outros itens de ouro. Segundo Anup (o guia), tudo que hoje está em metal antes era em ouro (portas, detalhes das torres, etc).

Voltamos para o hotel, tomamos café da manhã, pegamos o ônibus e começamos nossa viagem rumo a Jaipur. Assim como no dia anterior, tivemos mais uma tarde de apresentações e depoimentos fortes, lindos e tocantes. 

Anup também ficou um bom tempo compartilhando conosco como funciona atualmente casamentos na Índia. Segundo ele, atualmente 70% da população fica na zona rural, onde o casamento arranjado é mais forte. Ainda assim, 80% dos casamentos indianos, hoje, são arranjados, enquanto que 20% são "por amor". De acordo com Anup, para avaliar a compatibilidade de um casal, é importante que eles tenham costumes equivalentes. Para isso, eles veem castas, religião, região onde cresceram, posição social, árvore genealógica e, acreditem, mapa astral! Enquanto que na cidade o pessoal já usa site de encontros ou classificados do jornal para encontrar pretendentes, na zona rural os pais continuam falando com conhecidos para encontrá-los. Tiveram várias outras curiosidades que ele compartilhou, mas essas foram as que achei mais interessantes! 

Chegamos no hotel, tomamos banho e fomos jantar em um restaurante italiano chamado Bar Palladio. Lugar lindo, comida bacana! De lá voltamos para o hotel. 

Clara, escrevendo sobre o dia 12 de março de 2025

quarta-feira, 12 de março de 2025

Rumo à Agra (e ao Taj)

Bom dia!! Acordamos cedo, tomamos café da manhã e pegamos o ônibus rumo à Agra! Sim, cidade onde fica o Taj Mahal, uma das 7 maravilhas do mundo moderno, um dos motivos para eu estar aqui nesta jornada... 

Como são 05 horas de viagem de Deli a Agra, durante o trajeto tivemos várias coisas: dormidas, aulas sobre diversos assuntos relacionados à cultura indiana por parte de Anup, parada "técnica" em um posto com uma Starbucks muito fofa que tinha uma fachada completamente indiana, e o mais impactante e maravilhoso: cada uma de nós, do grupo, se apresentar e compartilhar histórias! Sim, ao longo das viagens de carro que tivermos, a ideia é que cada uma conte um pouco de si e de sua vida. Acho que já escrevi mas, só pra ratificar: o grupo é formado só por mulheres, e guiado/liderado por uma mulher. Somos um total de 14, sendo Renata a líder que organizar e conduz, Linda que co-lidera, e 12 "turistas" mulheres, de 30 a 50 anos, que também estão em busca de auto conhecimento. As apresentações e histórias de hoje foram lindas e emocionantes!

Chegando em Agra, Anup a chamou de vilarejo, afinal, "só" tem 1 milhão de pessoas... Como é uma cidade muito turística, tem MUITO ambulantes, então Anup nos trouxe mais um aviso: se você tocar em uma mercadoria, mesmo sem querer, vai ter que comprar e, se comprar de um, os outros virão com muita intensidade em cima de você. Vimos isso acontecer com um turista que estava sozinho, foi estranho... Então, se não tiver interesse, nem olhe para a mercadoria! Fora a quantidade de pessoas não ambulantes que chegam perto para pedir dinheiro, principalmente crianças...

Nossa primeira parada foi na Fortaleza Vermelha (ou Agra Fort). O forte serviu como residência principal dos imperadores mongóis até 1638, quando a resistência foi transferida para Delhi. Dentro do forte ficavam diversos edificios do imperador e do governo, como o Diwan-i-Aam (Salão de Audiências Públicas) e o Diwan-i-Khas (Salão de Audiências Privadas), além dos palácios Jahangir Mahal e o Khas Mahal. É bacana observar que a fortaleza não foi construída toda em uma mesma época. As edificações foram construídas por 3 imperadores diferentes, e isso pode ser observado pela arquitetura e material utilizado (arenito rosa ou mármore). Outra curiosidade: estava um calor absurdo, mas as construções são feitas de tal forma que, dentro, vc sentia ar fresco (por causa do material) e vento. No meio do tour pelo forte, o que vimos em uma das janelas? O lindo Taj Mahal! Limdo MESMO, todo imponente! Uma das partes do forte que tem a vista para o Taj é a área onde o imperador mogol Shah Jahan, que o construiu, viveu seus últimos anos preso pelo filho. Ou seja, ele morreu vendo sua obra para sua amada...

De lá, fomos para uma loja / fábrica de objetos feitos com mármore. Não anotei o nome do lugar, mas é muito interessante, especialmente porque ele mostra como os itena são feitos, de forma manual com as pedras incrustadas no mármore. Primeiro eles fazem os desenhos, depois vão raspando e moldando para, por fim, irem colocarem as pedras. Vimos peças lindas e muito bem feitas!

Por fim, terminamos o dia no The Salt Café, que tinha uma vista bem bacana para o Taj Mahal. Vimos o por do sol lá, jantamos e fomos para o hotel. 

Clara, escrevendo sobre o dia 11 de março de 2025