segunda-feira, 17 de março de 2025

Achei a Índia confusa estereotipada

Bom dia, ou seria boa madrugada? Sim acordamos umas 4h da manhã, para pegar a van e voltarmos para Deli. Foram +/- 4h30min de viagem, dos quais acho que só consegui cochilar uns 30min (fiquei escrevendo pro blog, kkkkk).

Ao chegarmos no aeroporto vi como as coisas pode ser confusas. Assim como no Egito, só podem entrar no aeroporto quem tem cartão de embarque. Depois despachamos a bagagem e vamos para a segurança. Aqui, a confusão aumenta muito: tem que deixar todos os eletrônicos, incluindo cabos, expostos na bandeja (não pode estar nem em uma necessaire). Depois de colocar as coisas na bandeira, você vai para outro lugar pra passar pelo detector de metais (ou sei lá o quê). A fila de mulheres é imensa e é diferente da dos homens (além de ter menos portais). Aí você volta pro lugar onde suas coisas passaram, e espera. Continua esperando. Nem os próprios guardas / funcionários se entendem. A bolsa passa várias vezes seguidas pela máquina, você não entende o motivo, tentar falar / explicar e é completamente ignorada, sem contar que parece que eles precisam tocar em tudo! O saldo é que teve gente do grupo cujas calcinhas ou dinheiros "sumiram"...

Ah, esqueci de comentar: SEMPRE antes de entrar nos hotéis, ao menos todos que fomos até agora, precisamos passar todas as bolsas e malas pelo detector de metais, assim como nós mesmas. E isso SEMPRE que entrar, independente se foi a primeira vez no hotel ou se você saiu por 5 minutos! 

Voltando para o aeroporto, entramos na sala de embarque e fui no KFC pegar um frango. Que desespero... O único frango que eles disseram que não era apimentado (o popcorn) era MUITO apimentado. Eu não consegui comer praticamente nada! Provei um pedacinho, morri! Coloquei catchup, peguei outro pedacinho, morri mais ainda, então desisti do frango e fiquei só na batata-frita. Embarcamos, avião demorou para decolar (não sei o motivo, estava ouvindo música). O voo teve duração de +/- 2 horas, consegui dormir um pouco, ainda bem!

Chegamos em Veranasi, estávamos em cima da hora de ver a cerimônia no rio Ganges. Deixamos as malas no hotel (nem subimos para os quartos), pegamos um tuk tuk, que foi em alta velocidade até chegarmos no lugar perto do rio. De lá, fomos andando até a margem do rio Ganges, onde pegamos um lugar maravilhoso para ver a cerimônia. Parecíamos VIP, com um lugar na sacada em frente à cerimônia! Mas antes de falar dela, preciso falar sobre a jornada... 

Definitivamente posso dizer que encontrei a Índia estereotipada. Tudo o que se pensa e se fala, foi possível ver e vivenciar: um milhão de pessoas, tudo junto e misturado em um trânsito realmente caótico, pessoas na contra mão é normal, sinal vermelho é enfeite, vimos várias vacas simplesmente andando ou paradas no meio da rua, assim como cachorros, MUITO lixo, pessoas jogando lixo na rua apwnas "porque sim", homens fazendo xixi na rua, buzinas... Ah, as buzinas... Acho que daria um capítulo a parte pois desde Deli você percebe que é cultural, mas aqui em Varanasi atinge um outro nível de buzina e intensidade! O guia local, Daya, falou antes de sairmos do tuk tuk que era para encarnarmos a leoa, que não poderíamos ser gentis ou cuidadosas se não seríamos atropeladas, que é necessário ter atitude e simplesmente andar. Chegando à margem do rio, perto da cerimônia, passamos por alguns Sadhus: devotos de Shiva que renuncian aos bens materiais para buscar a iluminação espiritual, vivem de doações, cobrem seus corpos com cinzas  (sem roupa alguma) e são respeitados como santos e sábios. Eu tinha visto fotos, mas não me lembro de te-los visto ao vivo.

Em relação à cerimônia Ganga Aarti, ela é bem parecida com a do Nepal. Todo dia é feita uma pequena ao nascer do sol, e no pôr do sol uma completa com sete sacerdotes e com o lugar lotado! Essa cerimônia é uma expressão de devoção, gratidão e reverência ao rio Ganges, considerado sagrado e uma deusa viva chamada Ganga. Os sacerdotes realizam a cerimônia usando diversos itens e instrumentos como a água do Rio Ganges para a purificação dos devotos, os mantras e os shankh (cochas), que são entoados para favorecer a imersão e meditação, incensos para realizar a purificação do ambiente, lamparinas com fogo para simbolizar a luz divina, e oferendas de flores que são levadas ao rio. A cerimônia é linda, impactante, intensa, mas confesso que do meio pro final eu fiquei mais incomodada com a poluição sonora (sinos tocando nas estruturas, sinos nas mãos dos sacerdotes, tambores, mantras sendo cantados, o shankh sendo tocado, as pessoas, a música da cerimônia ao lado... Mas valeu muito a pena!

Na volta, passamos pelo mesmo trânsito caótico, chegamos ao hotel, pedi uma comida no quarto e fui dormir.

Clara, escrevendo sobre o dia 16 de março de 2025

sábado, 15 de março de 2025

Ressaca do Holi com massagem

Adivinhem? Mais um dia acordando cedo para conseguir pegar uma atração linda de Jaipur vazia: Patrika Gate.

Antigamente, a cidade de Jaipur era uma cidade murada, por isso ainda hoje a cidade possui diversos Gates. São 7 portões históricos, e outros 2 portões mais novos: um deles, construído e aberto ao público em 2016, é justamente o Patrika Gate. Esse nome veio do grupo de comunicações que o construiu, Grupo Patrika. O monumento homenageia o patrimônio arquitetônico e cultural de todas as regiões do Rajastão, tendo cada pilar contando em forma de pintura alguns fatos importantes sobre diferentes partes do estado do Rajastão. Feito o contexto histórico, agora a explicação de ir cedo (06:30): exatamente por ser tão bonito, todo dia lá enche de noivos e fotógrafos para fazerem ensaios fotográficos! Quando chegamos, de fato não tinha ninguém. Mas uns 30 minutos depois, já tinham várias pessoas! O portão realmente é lindo, e cada canto, parede ou pilastra tem um detalhe diferente, uma pintura ou mesmo uma escultura... 

Voltamos ao hotel, comemos um café da manhã divino, e fomos explorar a pink city! Jaipur foi pintada de rosa em 1876 para dar as boas-vindas ao Príncipe de Gales, Albert Edward (que Depois se tornou Rei Eduardo VII). A cor rosa foi escolhida porque simboliza hospitalidade e acolhimento. Desde então, a tradição de manter os edifícios pintados de rosa se manteve, tornando-se uma característica marcante da cidade. Hoje, tem uma lei em vigor que exige que todos os edifícios da parte histórica da cidade sejam mantidos pintados de rosa. Agora, o cartão postal da cidade é sem dúvida, o Hawa Mahal (Palácio dos Ventos). Ele possui uma estrutura em forma de favo de mel, composto por 953 janelas, para que as damas reais de Jaipur pudessem observar o cotidiano das ruas e assistir às festividades da cidade quando essas aconteciam, já que elas não podiam sair do palácio e nem ser vistas pelos cidadãos comuns, apenas pelo Marajá. Passeamos pela rua principal, onde tem VÁRIAS lojinha, e subimos no Wind View café que fica bem em frente ao Palácio dos ventos.

Por fim, fomos para Chakrapani Clinic Ayurveda & Research Center, para fazermos uma massagem Ayurveda. Para quem não sabe, a medicina Ayurveda é um dos sistemas de cura mais antigos do mundo, nasceu na Índia há mais de 5.000 anos, e é baseada no equilíbrio entre corpo, mente e espírito. Eu fiz Marma Abhyanga + Shirodhara. Foram duas horas de massagem, durante as quais eu fui MUITO lambuzada de óleo, inclusive no cabelo! A massagem em si é muito boa, tem uma parte em que o óleo quente fica sendo jogado na testa que é uma delícia! Vale muito a pena fazer! Agora, o cheiro... Me enjoou, tanto o cheiro do óleo quanto o da clínica (que agora percebo que deve ter o cheiro estranho justamente por causa dos óleos). Valeu a pena, mas o cheiro me incomodou bastante. 

Outra coisa que eu gostaria de falar da clínica: foi o primeiro lugar em que vi que a maioria das pessoas que estavam trabalhando é mulher! Ou melhor, tirando hotéis, foi o segundo lugar que vi uma mulher trabalhando. O primeiro foi a loja de Sari, e que, mesmo assim, vi só umas 2 mulheres. Aqui, era grande maioria, tanto que chamou atenção. E aí é perceptível como ainda é muito forte a cultura da mulher ficar em casa, especialmente em cidades menores.

Ah, algo curioso: por todos os lugares que passamos, vimos vestígios do Holi Festival, seja através das pessoas manchadas (eu mesmo estou), seja através das ruas com resquícios de cores. Bem dia de ressaca mesmo... 

Depois da massagem voltamos ao hotel, fizemos um "almojanta" e fomos arrumar as malas. 

Clara, escrevendo sobre o dia 15 de março de 2025

Carnaval na Índia (Holi Festival)

Vamos lá, sempre quando eu pensava na Índia, a primeira coisa que vinha na cabeça era Taj Mahal. A segunda era a parte mística e religiosa (meditação, hinduísmo, Yoga, etc.). Depois, muito depois, vinha o Holi Festival. Verdade seja dita: eu só pensei em vir na época do Holi depois que uma amiga minha, Val, comentou sobre o festival. Eu não tinha noção do que eu estava perdendo... 

Primeiro vamos para o informativo: o Holi Festival (ou Festival das Cores) é um festival hindu que celebra a chegada da primavera e simboliza a vitória do bem sobre o mal. O Holi celebra o amor divino entre Krishna e Radha. Krishna, que tinha pele azul, se preocupava sobre Krishna não amá-lo por causa da sua cor. Sua mãe sugeriu que ele pintasse o rosto de Radha, dando início à tradição das cores. Uma explicação alternativa para justificar a utilização das cores é dar boas-vindas à primavera. 


Outra história vinculada ao festival é a de Prahlada. Ele era devoto de Vishnu e seu pai, o rei demônio Hiranyakashipu, não gostava disso. Então o rei planejou com sua irmã Holika, que possuía um xale encantado que a protegia do fogo, a morte do filho. Holika levou Prahlada para uma fogueira, esperando que ele morresse enquanto ela permanecesse ilesa. No entanto, o xale protegeu Prahlada e Holika foi consumida pelas chamas. Isso simbolizou a vitória do bem sobre o mal.


O festival é celebrado em 2 dias:

- Na noite anterior, com uma fogueira chamada Holika Dahan, na qual as pessoas queimam pedaços de madeiras e outros materiais simbolizando destruição do mal.

- No dia do Holi, as pessoas saem às ruas para jogar pós coloridos (gulas), dançar e celebrar.

O dia do Holi é marcado por diversas festas, públicas ou privadas, espalhadas pelas cidades e por todo o país, com muita música, comida e bebida. Sim, trata-se do único dia que o governo autoriza a bebida alcoólica na rua, em ambiente público. Isso fez com que, no nosso grupo, a gente fosse para uma festa privada, para garantirmos tranquilidade e segurança. Renata, muito caprichosa, providenciou tanto as batas brancas para usarmos (praticamente todo mundo usa branco) e os pós coloridos (foram algo em torno de 17kg). A bagunça já começou no ônibus, com muita cantoria, música alta e dança! Chegando no local da festa, já na entrada começamos a jogar as cores uns nos outros! E aqui farei alguns comentários gerais:

- Na festa tinha muitos gringos (que nem nós), mas também tinham indianos, o que foi maravilhoso porque aprendemos com eles a dançar diversas músicas. Isso mesmo, chegou um ponto que estávamos em um grupo grande, todos dançando, e zoando! 

- A festa contou com 2 bandas indianas e músicas mecânicas nos intervalos.

- Gente, sério, eu me senti no Carnaval. Dançando "solta", ouvindo apenas o ritmo das músicas e deixando o corpo me levar! Todos que estavam ali estavam para brincar, para curtir, deixando o clima do lugar muito bacana, bom, positivo! Ninguém ligando por estar suado, todos jogando cores ente si, sem estresse algum... Várias crianças indianas curtindo junto, o que deixava a coisa ainda mais leve e positiva! Eu não tinha noção de que precisava vivenciar essa festa, e sou muito grata por ter tido essa oportunidade. Uma frase que Bruna Porto, aqui do grupo, falou e que representa muito esse momento e sentimento é "colorindo por fora, limpando por dentro".

- No final, tive o previlegio de vivência uma cena maravilhosamente fofa: estávamos saindo, e eu ainda tinha comigo um saco cheio de pó colorido. Me cruzei com uma família indiana, parei e fui dar o saquinho para uma garota pequena, devia ter uns 3 ou 4 anos. Quando mostrei o saquinho pra ela, ela pegou um pouco do gula, com as duas mãos fofas, e de forma muito cautelosa e meiga colocou nas minhas bochechas. Eu morri! Com isso me abaixei ainda mais, peguei um pouco e coloquei nas bochechas dela. Aí insisti para entregar o saco e ela repetiu a ação. Linda demais! Deu vontade de levar ela para casa! Paty, também do grupo, fez o mesmo movimento com ela, linda demais! Aí insistir com a mãe que estávamos querendo dar o saco, então ela pegou e agradeceu! 

- Já do lado de fora, nós ficamos cantando no meio da rua! A galera do trânsito e da rua zoando e cantando junto, bem divertido. Aí chegou uma hora que começamos a cantar "Eu não vou embora", e chegaram 3 brasileiras correndo e começaram a cantar conosco! Depois passaram alguns brasileiros em um tuk tuk e ficaram cantando também. Foi bem engraçado, muito divertido mesmo!

Voltamos para o hotel, tomamos um banho (afemaria... Banho longo!), almoçamos no hotel mesmo e voltamos para a região onde fizemos a meditação no dia anterior. Lá tinha uma joalheria (não vi nada de interessante), tivemos uma consulta com astrólogo (a astrologia não bateu, mas a leitura de mão bateu direitinho) e fizemos um desenho de rena na mão. Depois voltamos para o hotel.

Clara, escrevendo sobre o dia 14 de março de 2025