quinta-feira, 20 de março de 2025

Explorando Rishikesh

Adivinhem? Hoje acordamos em um horário descente! Ou melhor, estávamos programadas para acordarmos às 07:30, mas eu acordei 05:30 (o corpo acostumou...).

A primeira atividade do dia foi fazer Yoga no hotel. A aula foi muito boa! Foi um pouco mais acelerada do que estou acostumada, exigiu bastante do corpo, mas eu gostei muito.


Tomamos café (não tinha ovo... Ainda bem que eu trouxe proteína em pó), e fomos caminhando até chegarmos às margens do rio Ganges, que fica pertinho do hotel. Água GELADA, mas vista incrível! Coloquei meus pés e minhas mãos apenas na água, mas Karen e Tati entraram completamente. Ficamos lá um bom tempo conversando, curtindo a manhã que estava linda e ensolarada!

Voltamos para o hotel, tomamos banho e fomos para o Asharam dos Beatles (hoje  Chaurasia Kutiya). Sua popularidade aconteceu quando o centro de meditação no final dos anos anos 60, início dos anos 70 recebeu os integrantes da banda inglesa que vieram a Rishikesh e se hospedaram no então asharam de Maharishi Mahesh Yogi, buscando por espiritualidade e transcedência. Esse período em que ficaram em Rishikesh foi um período extremamente produtivo para a banda, eles compuseram grandes sucessos lá, a maioria foi parar nos álbuns The White Album e Abbey Road. O lugar é imenso, com vista para o rio Ganges, e de uma tranquilidade maravilhosa! Muitas das estruturas ainda estão lá, principalmente os Meditation Caves, que foram construídos com pedras do rio. É realmente impossível passear por lá e não ficar imaginando como o espaço funcionava naquela época... Outra coisa bacana é que existem diversos painéis e desenhos pintados em várias partes do asharam. Os mais famosos estão em uma estrutura mais central, com diversas frases de músicas dos Beatles além de dois painéis imensos da banda.


Parada para almoço em un restaurante italiano chamado Green Italian, localizado em um hotel. A comida é boa, comi um lasanha zero apimentada (ufa), mas o atendimento com mesma confusão de sempre.

De lá voltamos para a margem do rio, no centro da cidade, para acompanharmos a cerimônia do fogo. Hoje teve participação de uma pessoa que não sabemos quem é, mas que fez um discurso lindo sobre felicidade, pois, segundo ela, dia 20 de março é o dia mundial da felicidade. Como ela fez o discurso mesclando inglês e hindi, deu para acompanhar. Claro que tinha muito menos pessoas do que em Varanasi, e muito menos poluição sonora, deixando a cerimônia mais agradável.


Depois fomos andando pelo centro, comi um sorvete delicioso, pegamos um tuk tuk, voltamos em direção ao hotel. No caminho, paramos para fazer compras em algumas lojas perto (os preços de Rishikesh foram os mais baratos de todas as cidades por qual passamos), e fomos para o hotel.

Mais uma curiosidade sobre a cidade: cai a energia toda hora, na cidade inteira. Mas logo depois ela é reestabelecida.

Clara, escrevendo sobre o dia 19 de março de 2025

quarta-feira, 19 de março de 2025

Rumo à última cidade

Hoje foi praticamente o dia inteiro focado no deslocamento para a última cidade que visitaremos na Índia. Acordamos 03:30 da manhã (acho que foi o dia que acordamos mais cedo), pois o voo para Deli foi às 6h.

Chegando em Deli, pegamos um Uber e fomos ao Fig at Malcha para comer um brunch. Pensem em um lugar sensacional! Lembram que eu escrevi que sempre temos algum tipo de problema em todos os restaurantes? Isso não aconteceu aqui! E, além disso, a comida estava espetacular! Depois passeamos pelo bairro, que seria tipo Jardins de São Paulo, e visitamos um estúdio de Yoga sensacional!


Voltamos para o aeroporto e pegamos o segundo voo, desta vez para Dehradun. Pegamos uma Van e fomos até o destino final, Rishikesh. A cidade fica a beira do Rio Ganges, perto da cordilheira do Himalaia. Além disso, ela é conhecida por ser a capital mundial da Yoga! Uma curiosidade sobre a cidade: existe uma lei que a torna vegetariana e não alcoólica. Nenhum estabelecimento pode vender álcool, ou mesmo comidas como carne e frango.

Ao chegarmos no hotel, ficamos maravilhadas pela estrutura. Definitivamente, o melhor de toda a viagem, com quartos novos e espaçosos, excelente atendimento, 2 cachorros lindos que fazem parte do hotel (sim, eles estão aqui justamente para receber e dar tranquilidade aos hóspedes) e uma vista espetacular para o rio Ganges! Deixamos as coisas no quarto, participei rapidinho de uma reunião / comunicado  do trabalho e voltei para o terraço, pois eles foram fazer a cerimônia do fogo aqui também. Melhor explicando, o hotel também faz todos os dias, no pôr do sol, a cerimônia de Ganga / río Ganges. Estava fazendo uma correlação pra Gui, é como se fosse o Ave Maria às 18h do hinduísmo. 


Terminada a cerimônia, fomos para o Kirtan Festival Rishikesh. De acordo com o Copilot, trata-se de "um evento espiritual que reúne pessoas de todo o mundo para celebrar a devoção através do canto e da dança. Os participantes têm a oportunidade de se imergir no canto coletivo e na dança, experimentando uma profunda conexão com o divino". Quando chegamos, estava iniciando o canto / mantra de Hare Krishna. Foi bem bacana! Me lembrou um pouco o exercício que fizemos lá no Nepal, assim como também me transportou à energia e o bem estar que eu sinto quando estou no meio da pipoca do Carnaval de Salvador (juro)... É que começa lento, introspectivo, individual, e aos poucos o mantra vai acelerando e se tornando algo a ser cantado em coletivo, em comunidade, muito bom! 


Depois voltamos ao hotel pra jantar. E aqui uma outra curiosidade do hotel: por política, eles são veganos!!! Resultado, comi massa... 

Clara, escrevendo sobre o dia 18 de março de 2025

terça-feira, 18 de março de 2025

Dia de me sentir bem

 Bom dia, para quem está acostumada a acordar antes do amanhecer.. Mas tem valido muito a pena, hoje então foi uma prova disso! 

Acordamos 04:30 para sairmos as 05:14 (sim, foi o guia local, Daya, quem definiu esse horário quebrado). O detalhe: eu tinha colocado o alarme no meu celular. No meio da madrugada tanto Cynthia (minha roomie de Varanasi) quanto eu acordamos e resolvi ver que horas eram... Meu celular não carregou, ao contrário, tinha acabado a bateria. Saí correndo pra colocar o celular pra carregar, e vimos que era umas 04:20. Nem voltamos a dormir... 

Pegamos a van e fomos ver o nascer do sol no Ganges. Mas não "só" isso, fomos fazer uma cerimônia, e em um barco. No caminho até pegarmos o barco, passamos por várias pessoas que estavam lá para fazer sua prece, sua intenção. De fato, muitas pessoas vão lá para tomar banho no rio, se purificar (eles acreditam que o rio Ganges é composto pelo néctar da vida, não água). Eles vão bem cedo, seja para irem antes de trabalharem, seja porque tem menos pessoas sendo mais tranquilo para meditar, ou seja porque a água costumam ficar menos suja pela manhã. De fato, a energia é outra nesse horário. Sim, tem gente, mas não aquela confusão, intensidade de pessoas e barulho como vimos ontem no entardecer. A energia fica mais perceptível, ficando claro o quanto as pessoas entendem como aquele lugar é sagrado, afinal, Varanasi é a casa de Shiva, onde é possível encontrar a salvação e purificação no Ganges (não vale em outra cidade). E tem o lado certo da margem do rio, tanto que a outra margem é completamente vazia, praticamente um deserto, com poucos barcos e algumas barracas...

Fomos até nosso barco privado, nos organizamos e veio um sacerdote fazer uma cerimônia conosco. Energia já começou a ficar intensa, mas diferente de ontem. Uma intensa leve, focada, boa. Aí o barco começou a navegar pelo rio, o guia foi mostrando / explicando as coisas, e nós passando por pessoas tomando banho no rio, outras orando, algumas meditando, crianças brincando, idosos concentrados... Todos com uma devoção e energia tão bacana, era tangível e contagiante. Independente da crença que cada uma de nós do grupo tenhamos, não teve uma que não tenha sentido e se emocionado. Para coroar a experiência, o nascer do sol... Lindo, imponente, sem nuvens, alaranjado, iluminando cada um, o ríos, os templos... Um cenário maravilhoso... Então o guia deu a cada uma de nós uma cestinha pequena com flores, pétalas e uma pequena vela. Na noite anterior escrevemos em um papel o que gostaríamos de "deixar ir", então queimamos o papel na vela, e colocamos a cestinha como oferenda para Ganga (a deusa que representa o Rio Ganges). Um silêncio leve, bonito, cada uma de nós fazendo sua própria prece, se concentrando para entregar a oferenda... Realmente algo forte, bonito, com uma energia boa.

No final da navegação, o barco encostou em um dos dois lugares de cremação que tem na cidade, e descemos por lá rumo à cidade antiga. Essa parte foi mais intensa, mas nada que tenha interferido a frequência que estávamos pela cerimônia que fizemos. Chegamos no templo de Shiva, mas não foi possível entrar (apenas quem é hindu pode entrar). Ele é do século 18, com +/- 1 tonelada de ouro, e possui uma Mesquita bem ao lado. Isso gera um grande desconforto tanto para os fanáticos muçulmanos quanto hinduistas, o que deixa a segurança redobrada em ambas construções. 

Na cidade antiga, paramos em uma loja de essências e outros itens. 3 aromas vendidos lá me chamaram atenção:
- sandalo: conhecido como cheiro da Índia, é bom para concentração e para acalmar. 
- flor do himalaia: usado para combater o estresse.
- flor de shiva: indicado para quem tem dificuldade para dormir. 

Lá também encontramos o Colar Rudraksha, conhecido como colar de Shiva. Rudraksha é uma semente conhecida como "lágrimas de Shiva" (Rudra = Shiva, Aksha = lágrimas). Os colares de Rudraksha são usados para meditação e proteção espiritual. Acredita-se que ao usar o colar, você remove energia negativa e medo de morrer, melhora a saúde física, limpa a aura, recebe a benção de Shiva, melhora o poder do pensamento e o sono. Além de seu significado espiritual, estudos científicos sugerem que as sementes de Rudraksha possuem propriedades eletromagnéticas que podem ajudar a equilibrar a energia do corpo e melhorar a atividade mental. Depois que compramos, o dono da loja levou os colares para serem "benzidos" no templo de Shiva! 

Na saída da loja, passando pelas ruas antigas, passamos por baixo da Porta da Salvação... O que a torna especial é que, ao passar por ela, você tem duas opções de caminhos: pegando o da direita, é o caminho da proteção / salvação que te leva até o templo de Shiva. O da esquerda, te leva ao crematório, à morte...

Voltamos para a Van para irmos ao 3o lugar sagrado do dia: Sarnath temple. Acredita-se que este foi o local onde Buda deu seu primeiro sermão após ter alcançado a iluminação, quando ele falou sobre as 4 verdades e os 8 caminhos da vida. Antes era apenas bosque, as construções que estão lá hoje vieram bem depois. Mais uma vez, senti uma calmaria e um sentimento bom lá... Assim como senti nos templos budistas que fui no Nepal. É diferente, não sei explicar. Algumas meninas e eu sentamos embaixo de uma árvore e ficamos lá, uma delícia. Depois fomos para o museu que tem no mesmo lugar, sendo uma parte dedicada ao budismo, e outra ao hinduísmo.

Depois voltamos para o hotel. Do lado dele tinha um shopping com uma MC Donald's. Resultado? Eu e mais umas 8 fomos lá, desejando um lanche MC básico. Chegando lá, a decepção: estava fechada. Então fomos para a praça de alimentação, Ana e eu comemos na Pizza Hut (zero apimentado, yesss), fomos ao mercado (compramos VÁRIAS coisas), e voltamos para o hotel. Como ainda estava cedo, Karen, Letícia, Tati e eu fomos para a piscina do hotel! Depois fomos dormir!

Algumas curiosidades adicionais ou frases ditas pelo guia daqui:
- frase de Daya: Existem 2 tipos de pessoas, os tomadores e os doadores. Os primeiros comem melhor, mas os segundos dormem melhor. 
- aqui, vestir branco significa luto. 
- o mantra AUM é usado pelo budismo e hinduísmo, pois o 1o é um segmento do 2o. As 3 letras fazem referência aos 3 principais deuses hidus, Braman, Vishnu e Shiva.
- Dormir em cima das flores: 1a noite da vida, início da vida (lua de mel). Dormir com as flores por cima do corpo, última noite (morte). 
- Buda geralmente é representado em 5 posições: proteção / benção, pregação, meditação, concentração e ensinamentos. 

Clara, escrevendo sobre o dia 17 de março de 2025