terça-feira, 11 de março de 2025

Agora uma Índia mais parecida com as do filme

Bom dia! Hoje foi o dia de conhecermos Old Deli, ou seja, a parte mais antiga da cidade, com mais "bagunça", ruas muito mais cheias, muito morador de rua, e vacas... SIM, finalmente vi vacas, 2 na verdade!

Primeiro passamos pela frente do templo Shri Digambar Jain Atishay Kshetra Lal Mandir, o mais antigo e conhecido templo Jain. Passamos por ele para o guia nos mostrar como a suástica é presente em diversos símbolos de religiões indianas. Ele explicou que a suástica significa boa sorte no hinduísmo, pois, de acordo com a lenda, o elefante cuja cabeça foi pra Ganisha, teve seu corpo encontrado  no formato da suástica, e Shiva definiu que simbolizava boa sorte. E quando o símbolo possui pontos, significa proteção, sem pontos é só decoração. 

Depois começamos a explorar Old Deli e fomos em direção ao templo de Shiva. O curioso: hoje é segunda-feira, dia de Shiva. Então, o Templo estava lotado! Compramos oferenda e fomos levar ao templo. Gente, uma confusão! Tiramos os sapatos, entramos no templo, e para conseguir chegar no lugar de colocar as oferendas, foi uma doideira.. Sério! Não consegui sentir nada, ver nada, uma loucura de gente, de empurra-empurra, pessoas limpando o chão só excesso de água, outras querendo sair, outras simplesmente paradas... Aí saímos de lá, fomos para uma área lateral, e de repente o pessoal começou a cantar / rezar, em um outro local de frente ao local de colocar as oferendas, e veio uma coisa tão forte que simplesmente fui pra lá. Que energia! Me arrepiei, cheguei a me emocionar. Fiquei quieta, só observando as pessoas, a unidade que se formou naquele canto, a vibração de cada um.. Aí uma indiana me deu uma vela e me mostrou o que fazer com ela, eu fiz, depois ficou batendo palmas, e todos cantando enquanto as pessoas entravam para dar as oferendas... MUITO especial! Aí reparamos que tinham pessoas fazendo fila para "falar" com o touro e assim como no Nepal (claro, mesma religião), Anup (o guia) explicou que, como Shiva está meditando, as pessoas falam seus desejos / pedidos para o boi que, quando Shiva acordar, vai repassar pra ele.

Seguimos a caminhada por Old Deli até chegarmos no Gurdwara Sis Ganj Sahib, templo Sikh construído em 1783. A religião Sikh foi fundada no século 15, e uma característica de todos os templos é que eles servem comida e bebida de forma gratuita todos os dias, para qualquer pessoa que entre no local do refeitório, pois o foco da religião é fazer o bem à comunidade. Outra característica é que eles rezam pra um livro, e não para um santo ou guru. Eles acreditam que depois de um tempo, tudo o que os gurus sabiam e podiam compartilhar já foi transcrito no livro então não é mais necessário adorar alguém, então é importante que todos aprendam a ler para estudarem o livro. Com isso, as pessoas no templo rezam virados para o livro, que fica no "altar". Para entrar no templo, é necessário que todos (mulheres, homens, crianças) tirem os sapatos e cubram a cabeça, em sinal de respeito. Dentro tem um mini "altar" com o livro, ao lado um trio cantantando e tocando cânticos e o chão todo de tapete. Na frente, a sala é grande e completamente vazada com um espaço imenso delimitado pra as pessoas entrarem, sentarem ou ajoelharem, e rezarem (no tapete). Do lado de fora dessa delimitação (mas ainda dentro da sala) também tem tapete, mas pode ficar em pé. O Templo fica aberto 24 horas, mas o livro fica exposto "apenas" das 5h às 22h, e a área onde eles dão comida fica em outro local.


De lá entramos ainda mais em Velha Deli. Me lembrou as ruelas "toscas" do Nepal, que só passavam tuk-tuk e com a fiação de luz que parecia um ninho, porém em uma escala absurdamente maior (de tamanho, de gente passando, de fios pendurados, de quantidade de lojas...). Só ficamos em uma parte pequena, que tinha comidas e roupas, e era um mundo! O guia só fazia repetir "não se percam, fiquem em fila indiana, me avisem se pararem"... Outras duas dicas importantíssimas que ele deu foram: 1) não dê dinheiro pra ninguém. Se você der para uma pessoa, várias vão chegar junto. 2) negociem, não aceitem o 1o preço. Entre as lojinha que vimos e paramos, destaco uma que estava vendendo pó colorido para o Holi Festival (com cores absolutamente vivas, lindas) e uma que vendia especiarias. Mas essa segunda relativamente arrumadas, com qualidade! E para voltar para o ônibus, a melhor parte: voltamos de Rikhisaw (mas que eu chamo de tuk tuk). O início normal, com os sustos normais, várias vezes achamos que o cara iria atropelar alguém ou bater em outras pessoas (ou motos, ou carros, ou outros tuk tuks). Aí o cara começou a pedir dinheiro, e já tinha nos falado que não era para darmos nada, pois o guia já tinha pago. Aí nos fingimos de desintendidas e, de repente, o cara foi pra contra mão! Sim, isso mesmo, estávamos indo e os carros vindo em nossa direção! Ana e eu gritamos feito duas doidas aí não aguentei e comecei a ter crises de risos... E ele equanto pedalava, virava pra gente e fazia o símbolo de dinheiro com a mão como se estivesse pedindo dinheiro.. 


Enfim, mesmo com essa confusão toda, chegamos salvas no ônibus! Fomos almoçar no restaurante The Imperial Spice, e depois fomos para o Qutb Minar, lugar onde tem a maior torre de tijolo do mundo. Ela fica em um complexo arqueológico de mesmo nome. Anteriormente, o complexo alojava um conjunto de vinte e sete templos hindus e jainistas que foram demolidos para utilizar material na construção da Mesquita Quwwat-ul-Islam, ao lado do Qutb Minar. 

De noite, fomos para um dos 50 melhores restaurantes da Ásia, o Indian Accent. Ó restaurante fica dentro de um hotel e realmente é muito bom. O pessoal pegou o menu degustação, mas eu peguei A La Carte, afinal, meu paladar infantil não gostou dos pratos que foram servidos... 

Clara, escrevendo sobre o dia 10 de março de 2025 

segunda-feira, 10 de março de 2025

As famosas de Nova Deli

Bom dia! Eu diria que hoje é o primeiro dia oficial de explorar a Índia, especificamente Nova Deli. Isso porque ontem estávamos direto do voo, todas cansadas, meio que "rodando no automático"... 

O dia começou no Kartavya Path Redevelopment Proposal. É uma área imensa, construída para reubarnizar o antigo Rajpath, que se estende do Rashtrapati Bhavan (casa da presidenta da Índia) até o India Gate (lindo memorial dos soldados que sacrificaram suas vidas pelo país) em Nova Delhi. As duas construções ficam nas estremidades e tem um grande passeio de pedestre que as ligam entre si. O trajeto é cortado por 4 ruas, e ao redor tem vários prédios do governo. O lugar é lindo, muito arborizado, com vários jardins e flores. De cara nos sentimos famosas: somos 14 mulheres no grupo, nos juntamos para tirar foto no portal. Aos poucos, mulheres e crianças indianas ficaram olhando e tirando foto nossa. Aí as chamamos para se juntar a nós e, de repente, MUITA gente "entrou" na foto, foi muito engraçado! Agora, uma coisa que é o lado "ruim" de estar em grupo: deu muita vontade de caminhar por todo o local, de uma extremidade à outra, mas não rolou... Só vimos de perto o Indian Gate...

Uma curiosidade: o país possui 22 idiomas oficiais, isso porque cada região da Índia tem seu próprio idioma, seus próprios costumes. Por isso, para tentar ter uma unidade, todos falam inglês. Com isso, as escolas costumam ensinar o idioma da região onde ela se encontra e inglês. Agora, o engraçado: eu estava plena falando "obrigada" em hindi, igual ao do Nepal, e várias vezes as pessoas não me conheciam. Fui falar com o guia, e ele disse umas 3 formas diferentes de dizer "obrigada", e devido aos diversos idiomas, pode ter acontecido de pessoas não conhecerem hindi. Resultado, segundo ele, para garantir, é melhor falar "namasté". 

A segunda visita foi no Templo Akshardham, que significa casa / morada de Deus. É um dos maiores templos hindus do mundo, feito quase todo em mármore e absolutamente cheio de detalhes e talhados no mármore, em TODOS os lugares das instalações. Um ponto surpreendente: ele foi construído em apenas 5 anos, o que é inimaginável pois o lugar realmente é imenso e todos os detalhes foram feitos à mão. Ah, não tenho fotos porque lá não pode entrar com nenhum eletrônico (celular, relógios) ou bolsas grandes. Deixamos tudo no ônibus, e só levamos um lenço para cobrir os ombros. Eu não lembro das informações (foram muitas), mas o guia explicou cada detalhe do templo. Cada item tem um motivo, uma explicação. A riqueza de detalhes é uma coisa de louco! O lugar que eu mais gostei foi uma parte dos 10 Portais. Esses portais são uma homenagem aos dez principais avatares de Vishnu e cada um deles conta uma história da mitologia hindu. Além de ter trazido uma energia ainda mais bacana, quando você se coloca no centro, ao falar, você ouve um eco. Atenção, só você ouve esse eco, não precisa estar vazio e não precisa falar alto. É realmente mágico! 

De lá fomos almoçar em um restaurante internacional chamado Beeyoung Brewgarden. Não era a 1a opção, mas era a que estava vazia e cabia todas nós. Estava passando a final de um jogo de cricket, Índia vs Nova Zelândia então, mesmo estando vazio, estava divertido. E a comida estava maravilhosa, comi um frango MUITO bom!

Por fim, saímos de lá para uma loja / fabrica que vende tecidos e Saris, chamada I. N. A (Indian National Arts). Eu achei que iria encher o saco, ficar entediada, mas me diverti MUITO vendo todas experimentando o Sari, aí fiquei pegando no pé do dono da loja para dar um Sari para Renata (ela leva pessoas lá há não sei quanto tempo e o cara nunca tinha dado nada para ela), ele acabou emprestando um na condição de eu experimentar algum, vesti um (lindo) mas não comprei (USD 100,00), depois ficamos um outro bom tempo vendo os lenços e pashminas... Foi engraçado! 

Na volta, eu gostei tanto da massagem de ontem que acabei fazendo outra de novo. Pior que fui fazer uma diferente e não foi uma decisão acertada, pois a de ontem foi bem melhor... Depois comemos no próprio hotel e fomos dormir! 

Clara, escrevendo sobre o dia 09 de março de 2025

domingo, 9 de março de 2025

Cansaço bateu

 O voo para a Índia foi longo, mas bom. Consegui dormir um pouco, vi um pouco de filme, mas a comida... Não consegui jantar, o frango estava muito apimentado. Mas no café da manhã deu pra comer o ovo mexido. 

Chegando no aeroporto, a migração foi bem tranquila. Pega um formulário, o preenche, tem vários guiches para fazer a entrada, e os oficiais fazem perguntas bem básicas... A mala que demorou mais de chegar, o que me deixou agoniada pois todo o grupo já tinha chegado, só faltava eu! Ao sair da porta de embarque, fui recebida com um lindo colar de flores, e um abraço cuja energia emanava "bem-vinda"!

O caminho para o hotel foi bem tranquilo! Pelo menos em Nova Deli, onde estamos, o trânsito está funcionando direitinho (carro, ônibus, tuk-tuk, moto, tudo junto e misturado), ruas bem arborizadas, sem nenhuma vaca no meio do caminho! Agora, desde o avião, é perceptível a poluição... Não tinha uma nuvem no céu, mas é absolutamente visível a "névoa" constante que não deixa o céu claro. Outra coisa que chamou a atenção é a quantidade de pessoas do exército nas ruas. Achamos que era pelo fato do hotel ser perto dos prédios do governo, mas o guia comentou que é por proteção mesmo, pois a "Índia não tem uma boa relação com o Paquistão"...

Bom, deixamos as coisas no hotel, tomamos um banho e fomos almoçar no restaurante indiano Pind Balluchi. Eu comi um frango grelhado bom! Depois fomos para um mercado chamado Janpath Market que tinha bem na frente do restaurante. Rapaz, tanta roupa barata... Várias de "marcas" como Michael Kors ou Zara. Nesse mercado tinha pouco artesanato, e muito indiano comprando lá! Ficamos um tempo rodando nas lojinhas do mercado e depois voltamos para o hotel.

Agora, chegando no hotel, mesmo super cansada, fui fazer uma massagem. Gente, que massagem espetacular! Foi uma decisão mais que acertada pois, depois da massagens, estava no ponto para ir dormir! Eu fui dormir eram umas 21:40 (horário local), de tanto sono que eu estava. Mas deu 2h da manhã eu despertei, e demorei pra dormir novamente...

Clara, escrevendo sobre o dia 08 de março de 2025