sábado, 15 de março de 2025

Ressaca do Holi com massagem

Adivinhem? Mais um dia acordando cedo para conseguir pegar uma atração linda de Jaipur vazia: Patrika Gate.

Antigamente, a cidade de Jaipur era uma cidade murada, por isso ainda hoje a cidade possui diversos Gates. São 7 portões históricos, e outros 2 portões mais novos: um deles, construído e aberto ao público em 2016, é justamente o Patrika Gate. Esse nome veio do grupo de comunicações que o construiu, Grupo Patrika. O monumento homenageia o patrimônio arquitetônico e cultural de todas as regiões do Rajastão, tendo cada pilar contando em forma de pintura alguns fatos importantes sobre diferentes partes do estado do Rajastão. Feito o contexto histórico, agora a explicação de ir cedo (06:30): exatamente por ser tão bonito, todo dia lá enche de noivos e fotógrafos para fazerem ensaios fotográficos! Quando chegamos, de fato não tinha ninguém. Mas uns 30 minutos depois, já tinham várias pessoas! O portão realmente é lindo, e cada canto, parede ou pilastra tem um detalhe diferente, uma pintura ou mesmo uma escultura... 

Voltamos ao hotel, comemos um café da manhã divino, e fomos explorar a pink city! Jaipur foi pintada de rosa em 1876 para dar as boas-vindas ao Príncipe de Gales, Albert Edward (que Depois se tornou Rei Eduardo VII). A cor rosa foi escolhida porque simboliza hospitalidade e acolhimento. Desde então, a tradição de manter os edifícios pintados de rosa se manteve, tornando-se uma característica marcante da cidade. Hoje, tem uma lei em vigor que exige que todos os edifícios da parte histórica da cidade sejam mantidos pintados de rosa. Agora, o cartão postal da cidade é sem dúvida, o Hawa Mahal (Palácio dos Ventos). Ele possui uma estrutura em forma de favo de mel, composto por 953 janelas, para que as damas reais de Jaipur pudessem observar o cotidiano das ruas e assistir às festividades da cidade quando essas aconteciam, já que elas não podiam sair do palácio e nem ser vistas pelos cidadãos comuns, apenas pelo Marajá. Passeamos pela rua principal, onde tem VÁRIAS lojinha, e subimos no Wind View café que fica bem em frente ao Palácio dos ventos.

Por fim, fomos para Chakrapani Clinic Ayurveda & Research Center, para fazermos uma massagem Ayurveda. Para quem não sabe, a medicina Ayurveda é um dos sistemas de cura mais antigos do mundo, nasceu na Índia há mais de 5.000 anos, e é baseada no equilíbrio entre corpo, mente e espírito. Eu fiz Marma Abhyanga + Shirodhara. Foram duas horas de massagem, durante as quais eu fui MUITO lambuzada de óleo, inclusive no cabelo! A massagem em si é muito boa, tem uma parte em que o óleo quente fica sendo jogado na testa que é uma delícia! Vale muito a pena fazer! Agora, o cheiro... Me enjoou, tanto o cheiro do óleo quanto o da clínica (que agora percebo que deve ter o cheiro estranho justamente por causa dos óleos). Valeu a pena, mas o cheiro me incomodou bastante. 

Outra coisa que eu gostaria de falar da clínica: foi o primeiro lugar em que vi que a maioria das pessoas que estavam trabalhando é mulher! Ou melhor, tirando hotéis, foi o segundo lugar que vi uma mulher trabalhando. O primeiro foi a loja de Sari, e que, mesmo assim, vi só umas 2 mulheres. Aqui, era grande maioria, tanto que chamou atenção. E aí é perceptível como ainda é muito forte a cultura da mulher ficar em casa, especialmente em cidades menores.

Ah, algo curioso: por todos os lugares que passamos, vimos vestígios do Holi Festival, seja através das pessoas manchadas (eu mesmo estou), seja através das ruas com resquícios de cores. Bem dia de ressaca mesmo... 

Depois da massagem voltamos ao hotel, fizemos um "almojanta" e fomos arrumar as malas. 

Clara, escrevendo sobre o dia 15 de março de 2025

Carnaval na Índia (Holi Festival)

Vamos lá, sempre quando eu pensava na Índia, a primeira coisa que vinha na cabeça era Taj Mahal. A segunda era a parte mística e religiosa (meditação, hinduísmo, Yoga, etc.). Depois, muito depois, vinha o Holi Festival. Verdade seja dita: eu só pensei em vir na época do Holi depois que uma amiga minha, Val, comentou sobre o festival. Eu não tinha noção do que eu estava perdendo... 

Primeiro vamos para o informativo: o Holi Festival (ou Festival das Cores) é um festival hindu que celebra a chegada da primavera e simboliza a vitória do bem sobre o mal. O Holi celebra o amor divino entre Krishna e Radha. Krishna, que tinha pele azul, se preocupava sobre Krishna não amá-lo por causa da sua cor. Sua mãe sugeriu que ele pintasse o rosto de Radha, dando início à tradição das cores. Uma explicação alternativa para justificar a utilização das cores é dar boas-vindas à primavera. 


Outra história vinculada ao festival é a de Prahlada. Ele era devoto de Vishnu e seu pai, o rei demônio Hiranyakashipu, não gostava disso. Então o rei planejou com sua irmã Holika, que possuía um xale encantado que a protegia do fogo, a morte do filho. Holika levou Prahlada para uma fogueira, esperando que ele morresse enquanto ela permanecesse ilesa. No entanto, o xale protegeu Prahlada e Holika foi consumida pelas chamas. Isso simbolizou a vitória do bem sobre o mal.


O festival é celebrado em 2 dias:

- Na noite anterior, com uma fogueira chamada Holika Dahan, na qual as pessoas queimam pedaços de madeiras e outros materiais simbolizando destruição do mal.

- No dia do Holi, as pessoas saem às ruas para jogar pós coloridos (gulas), dançar e celebrar.

O dia do Holi é marcado por diversas festas, públicas ou privadas, espalhadas pelas cidades e por todo o país, com muita música, comida e bebida. Sim, trata-se do único dia que o governo autoriza a bebida alcoólica na rua, em ambiente público. Isso fez com que, no nosso grupo, a gente fosse para uma festa privada, para garantirmos tranquilidade e segurança. Renata, muito caprichosa, providenciou tanto as batas brancas para usarmos (praticamente todo mundo usa branco) e os pós coloridos (foram algo em torno de 17kg). A bagunça já começou no ônibus, com muita cantoria, música alta e dança! Chegando no local da festa, já na entrada começamos a jogar as cores uns nos outros! E aqui farei alguns comentários gerais:

- Na festa tinha muitos gringos (que nem nós), mas também tinham indianos, o que foi maravilhoso porque aprendemos com eles a dançar diversas músicas. Isso mesmo, chegou um ponto que estávamos em um grupo grande, todos dançando, e zoando! 

- A festa contou com 2 bandas indianas e músicas mecânicas nos intervalos.

- Gente, sério, eu me senti no Carnaval. Dançando "solta", ouvindo apenas o ritmo das músicas e deixando o corpo me levar! Todos que estavam ali estavam para brincar, para curtir, deixando o clima do lugar muito bacana, bom, positivo! Ninguém ligando por estar suado, todos jogando cores ente si, sem estresse algum... Várias crianças indianas curtindo junto, o que deixava a coisa ainda mais leve e positiva! Eu não tinha noção de que precisava vivenciar essa festa, e sou muito grata por ter tido essa oportunidade. Uma frase que Bruna Porto, aqui do grupo, falou e que representa muito esse momento e sentimento é "colorindo por fora, limpando por dentro".

- No final, tive o previlegio de vivência uma cena maravilhosamente fofa: estávamos saindo, e eu ainda tinha comigo um saco cheio de pó colorido. Me cruzei com uma família indiana, parei e fui dar o saquinho para uma garota pequena, devia ter uns 3 ou 4 anos. Quando mostrei o saquinho pra ela, ela pegou um pouco do gula, com as duas mãos fofas, e de forma muito cautelosa e meiga colocou nas minhas bochechas. Eu morri! Com isso me abaixei ainda mais, peguei um pouco e coloquei nas bochechas dela. Aí insisti para entregar o saco e ela repetiu a ação. Linda demais! Deu vontade de levar ela para casa! Paty, também do grupo, fez o mesmo movimento com ela, linda demais! Aí insistir com a mãe que estávamos querendo dar o saco, então ela pegou e agradeceu! 

- Já do lado de fora, nós ficamos cantando no meio da rua! A galera do trânsito e da rua zoando e cantando junto, bem divertido. Aí chegou uma hora que começamos a cantar "Eu não vou embora", e chegaram 3 brasileiras correndo e começaram a cantar conosco! Depois passaram alguns brasileiros em um tuk tuk e ficaram cantando também. Foi bem engraçado, muito divertido mesmo!

Voltamos para o hotel, tomamos um banho (afemaria... Banho longo!), almoçamos no hotel mesmo e voltamos para a região onde fizemos a meditação no dia anterior. Lá tinha uma joalheria (não vi nada de interessante), tivemos uma consulta com astrólogo (a astrologia não bateu, mas a leitura de mão bateu direitinho) e fizemos um desenho de rena na mão. Depois voltamos para o hotel.

Clara, escrevendo sobre o dia 14 de março de 2025

sexta-feira, 14 de março de 2025

Tour em Jaipur

Mais uma vez o dia começou cedo, muito cedo, muito cedo mesmo! Saímos do hotel 06h da manhã pois às 06:30 tínhamos uma aula de Yoga, focado em respiração. 

A aula foi na casa do guru Satish GuruJi, e foi ele mesmo quem a conduziu. Confesso que tive um pouco de dificuldade para entender ele, mas uma coisa interessante que ele comentou é que todo mundo costuma respirar melhor de um lado da narina, mas esse lado muda devido a diversos fatores relacionados ao corpo da pessoa. Terminada a aula, tivemos um café da manhã vegano e orgânico. Eu comi umas frutas e um biscoito bem bom!

Saímos de lá e começamos o tour por Jaipur. Primeiro passamos pelo Paço de Água Panna Meena Ka Kund, um baori (poço em degraus), construído no século XVI, esse poço era essencial para o armazenamento de água durante todo o ano. Além de sua função prática, o local servia como um ponto de encontro para os viajantes e uma área de descanso para aqueles que passavam pela região. Ele é bem bacana, com várias escadas simétricas que levam até a base do poço, cujo nível de água pode variar a depender das chuvas. Hoje não é mais possível descer as escadas, assim como a água não é mais potável.


Próxima parada foi Amber Fort. Ele foi construído em 1592 para ser moradia do imperador. Fica no topo das colinas que rodeiam a cidade de Jaipur, podendo subir até ele de jipe ou de elefante. Nós fomos de jipe, claro! Nas colinas, na verdade, existem 3 fortalezas construídas e com conexões entre si via passagens secretas, mas só exploramos a Ambar. Sua muralha é a 3a maior do mundo, com 12km. As edificações foram construídas por diversos imperadores ao longo do tempo, até que no século 18 o então imperador resolveu construir sua moradia em Jaipir, a atual Palácio da Cidade. O lugar é muito bonito e tem uma vista linda para um lago artificial.

A parada seguinte foi justamente no Palácio da Cidade. Construído entre 1729 e 1732, ele servia como casa real e sede administrativa dos governantes. Hoje ele continua sendo a residência da família real de Jaipur, porém, uma parte dele está aberto para visitações, abrigando um museu, restaurante e pode ser alugado para realização de eventos. O lugar é bem bonito, mas achei o museu bem fraco.

De lá, fomos almoçar no Bardari Restaurant, que fica no próprio Palácio. O restaurante é lindo, tem várias opções de comida, mas o atendimento é PÉSSIMO. Aqui faço um adendo: atendimento em restaurantes na Índia é ruim como um todo, SEMPRE teve algum erro como entregarem prato errado ou cobrar algo errado na conta. Mas o Bardari conseguiu superar todos que fomos até agora. Os garçons demoravam de nos atender, eles esperaram 20min para informar que os pratos solicitados não tinham mais, entregou prato sem trazer talher e, ainda assim, a gente teve que ir lá pega-los... Enfim, bem caótico. 

Passamos bem rápido por Jaipur Boutique Carpet, uma loja / fábrica de tecidos e tapetes. Estávamos todos cansados, nem ouvi direto as explicações que eles fizeram sobre a tecelagem... 



Terminamos o dia indo para o Birla Temple, um templo hindu construído com mármore branco em homenagem ao deus Vishnu (o Ser Supremo, deus da conservação) e à deusa Lakshmi (deusa da prosperidade, riqueza, fortuna, poder, beleza, fertilidade e prosperidade). Além da construção, o lugar onde ele está é muito bonito! O curioso é que em uma das faixadas tinham imagens de outros deuses ou santos de outra religiões, como Jesus Cristo! 

De lá, voltamos pro hotel. Karen (minha roommate de Jaipur) e eu pedimos comida no quarto e fomos dormir! 

Clara, escrevendo sobre o dia 13 de março de 2025